3 PRINCÍPIOS PARA UTILIZAR A TÉCNICA MEISNER NO TEATRO – Escola de Teatro Juliana Leite

3 PRINCÍPIOS PARA UTILIZAR A TÉCNICA MEISNER NO TEATRO

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“Atuar é viver honestamente em circunstâncias imaginárias.”
Sanford Meisner, (também conhecido como Sandy) foi professor de atuação, com uma coleção impressionante e surpreendentemente extensa de alunos, incluindo Sandra Bullock, Dianne Keaton, Robert Duvall, Gregory Peck e Grace Kelly.
Sabemos que nenhuma técnica promete fornecer a “chave” absoluta e definitiva para a atuação (cada ator, assim como cada personagem, pedem técnicas diferentes, ou a mistura delas), por isso a importância em sempre conhecer novas ferramentas.
Nesse artigo, você vai conhecer de forma breve e geral o método Meisner, seus princípios básicos, exercícios e aplicação.

Princípios:
1-) “A base da atuação é a realidade do fazer.”
Meisner acreditava fortemente que fazer realmente seria sempre mais eficaz – e mais simples – para o ator, do que fingir fazer. Por exemplo, se as instruções do palco revelarem que seu personagem está amarrando o sapato enquanto fala com o outro personagem, Meisner faria você literalmente amarrar o sapato em vez de simular fazê-lo. Este é um exemplo rudimentar, mas o princípio se traduz desde o mais ínfimo detalhe até o seu maior envolvimento com metas e objetivos. Se o objetivo do seu personagem é convencer o outro personagem a fugir com eles, Meisner quer que você realmente tente convencê-los. Não apenas demonstre a aparência externa de como isso pode parecer, mas se esforce ativamente para fazê-lo momento a momento.

2-) “Acredito que o talento vem do instinto.”
Meisner defendeu que o instinto era um recurso extremamente precioso para o ator, mas que muitas vezes exigia a prática de libertar. Ele acreditava que o ator deveria valorizar a espontaneidade autêntica ao invés do planejamento, e isso requer um certo grau de vulnerabilidade e coragem por parte do ator. Por exemplo, se você estivesse ensaiando para uma cena, haveria pouco “trabalho de roteiro”. Em vez disso, você estaria em pé com seu parceiro de cena, contando com a observação e a presença para dar vida à cena. Esta pode ser uma abordagem um tanto desafiadora para os atores, pois pode parecer muito solta e/ou “fácil”, mas o resultado – quando se confia na técnica – pode melhorar muito sua performance.

3-) “O que você faz não depende de você; depende do outro sujeito.”
O método de Meisner coloca o foco em estímulos externos (principalmente o outro ator) e responde em proporção direta ao que você recebe. Seu exemplo mais conhecido é o “Beliscar e o Ai”. Se alguém o beliscasse na vida real, você naturalmente reagiria com um relativo “ai” de acordo com a intensidade. No entanto, em um contexto de desempenho, os atores podem estar inclinados a reagir de forma desproporcional ou “fabricar” uma resposta (por exemplo, na pior das hipóteses, reagir como se alguém tivesse sido esfaqueado em vez de beliscado, ou como se não tivesse sentido nenhum belisco). Pode ser uma descoberta tremendamente libertadora perceber e confiar que você não precisa fazer nada mais do que responder genuinamente às circunstâncias imaginárias presentes.

Exercícios:
1-) Repetição
A prática mais famosa e fundamental da Técnica Meisner é o “exercício de repetição” e, para os não iniciados, faz exatamente o que diz na lata.
Dois atores (pelo menos para começar) ficarão frente a frente e repetirão observações objetivas da vida real até que o “texto” se mova organicamente para outra coisa. Por exemplo:
Ator 1: “Seus sapatos são brancos.”
Ator 2: “Meus sapatos são brancos.” 
Ator 1: “Seus sapatos são brancos.”
Ator 2: “Meus sapatos são brancos.”
Ator 1: (Percebendo que Ator 2 coçou o braço) “Você coçou o braço.”
Ator 2: “Eu arranhei meu braço.”
O que isso busca fazer é remover da equação a mente autocentrada, pois mesmo depois de um curto período de tempo, percebe-se que o “texto” se torna essencialmente irrelevante, e é o subtexto e a relação que realmente importam . Embora talvez seja um exercício aparentemente trivial, esta prática fortalece a capacidade do ator de incorporar totalmente todos os três princípios básicos acima e pode ser muito mais confrontador do que se poderia esperar!

2-) Preparação emocional
Meisner sugeriu que os atores trabalhassem para serem “emocionalmente cheios”. Isso pede aos atores que mergulhem no aprofundamento de sua conexão com suas próprias emoções e gatilhos, de modo que essa riqueza de informações autênticas e exclusivamente individuais esteja prontamente disponível na performance.
O ‘dever de casa’ pode incluir meditar sobre o que te faz rir, o que te faz chorar, o que te deixa com medo, etc. e descobrir o que desencadeia esses estados, bem como a forma como os experimentamos dentro do corpo. Usando esses insights, o ator poderia então honrar a “realidade do fazer”, entrando em cena sentindo medo por exemplo, em vez de “agir” – uma distinção sutil, mas extremamente perceptível.
Um ponto chave a destacar, no entanto, é que esta preparação serve apenas para informar o primeiro momento de cada cena. Os humanos são seres intensamente emocionais e altamente reativos, então o mesmo deve ser verdadeiro para os personagens que incorporamos.

3-) Imaginação
Reconhecer a preparação emocional baseada apenas em experiências pessoais limitadas nem sempre seria aplicável, Meisner defendeu que os atores desenvolvessem uma imaginação forte e ágil. Uma aplicação prática disso é a “mágica como se”, que requer que o ator realize uma extensa pesquisa para compreender completamente o mundo de um personagem com o qual de outra forma não seria capaz de se relacionar diretamente.
Para tomar um exemplo direto, se um ator foi escalado como uma mãe, mas não teve nenhuma experiência em primeira mão de ter filhos, isso veria um ator vividamente ‘devanear’ e ‘fantasiar’ no conjunto imaginário de sentimentos, circunstâncias e contexto em que isso pode parecer verdade para eles.
Além disso, o ator pode recorrer a fontes externas de pesquisa, por exemplo. pedir a amigos ou familiares, assistir entrevistas, ler livros e observar pessoas, para reunir uma biblioteca de material adicional para fornecer inspiração. O ator então sintetizaria essas descobertas e integraria apenas os elementos que ressoam genuinamente e facilitariam a criação de uma possível realidade alternativa para reagir e agir a partir dela.


Aperfeiçoar sua arte como ator é um processo sem fim (como é para a maioria das coisas na vida), e uma ótima maneira de fazer isso na prática é expor-se a uma ampla gama de métodos e técnicas diferentes. Alguns podem parecer extremamente conflitantes, alguns podem ser totalmente desconcertantes e alguns podem simplesmente não vibrar com você, mas absorver o que você puder, servirá para construir e refinar seu conjunto de habilidades individual. 

 

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2 Comments

  1. muito legal esse site parabéns pelo conteúdo.

  2. Leandro MDR diz:

    Adorei tenho feito muita pesquesa sobre o método do Maisner

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