
A PONTUAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DO PERSONAGEM
08/10/2025
INTERPRETAR DE DENTRO PRA FORA OU DE FORA PRA DENTRO?
22/10/2025Escrita em 1966 pelo dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, O Arquiteto e o Imperador da Assíria é uma das peças mais instigantes do teatro contemporâneo. Integrante do movimento do Teatro do Absurdo, a obra mistura humor, filosofia e crueldade para explorar a condição humana em sua essência.
Enredo
A trama se passa em uma ilha deserta, onde vivem apenas dois personagens: o Imperador, que sobreviveu a um desastre aéreo, e o Arquiteto, um habitante primitivo do local. A relação entre os dois se desenvolve em um jogo de poder, dominação e troca de papéis. O Imperador tenta “civilizar” o Arquiteto, ensinando-lhe costumes sociais, políticos e religiosos. No entanto, com o tempo, os papéis se invertem, e o Arquiteto também se torna mestre, revelando outras verdades sobre a existência.
Esse constante vai e vem de identidades cria uma narrativa marcada por tensões, humor ácido e reflexões profundas.
Temas Centrais
-
O jogo de poder: A relação entre Arquiteto e Imperador é marcada pela tentativa de dominar o outro, seja pela cultura, pela força ou pela manipulação.
-
Civilização x barbárie: A peça questiona o que realmente significa ser “civilizado”. Quem é mais humano: o que segue convenções sociais ou o que vive fora delas?
-
Identidade e representação: Os personagens assumem diferentes papéis ao longo da peça: pai, mãe, criança, padre, soldado. Mostrando que a identidade é fluida e construída.
-
Solidão e convivência: Em uma ilha deserta, a necessidade do outro se mistura ao desejo de poder sobre ele. A peça mostra como as relações humanas são ambíguas e complexas.
Estilo e Linguagem
Arrabal utiliza uma linguagem fragmentada, repleta de quebras, humor grotesco e imagens poéticas. O texto é ao mesmo tempo lúdico e perturbador, típico do Teatro Pânico (movimento criado pelo autor, inspirado no deus Pan e no surrealismo).
A encenação exige atores disponíveis ao jogo, à improvisação e ao trabalho físico intenso. É uma peça que rompe fronteiras entre real e imaginário, tragédia e comédia, humano e desumano.
Importância Teatral
O Arquiteto e o Imperador da Assíria é considerada uma das obras-primas de Arrabal e continua sendo montada ao redor do mundo como exemplo do teatro experimental e provocador dos anos 1960. Sua força está na universalidade dos temas e na ousadia da forma.
Conclusão
A peça é um convite ao risco: para atores, diretores e espectadores. Nela, Arrabal nos lembra de que ser humano é viver em constante transformação, entre máscaras e verdades, civilização e instinto. O Arquiteto e o Imperador da Assíria é, acima de tudo, um espelho desconfortável de nós mesmos.
🎭 Escola de Teatro Juliana Leite 🎭
R: Tiradentes, 944 – Centro
Limeira-SP
(19) 99639-8545




